A Tradição Primordial também é dita "perene" porque sabe se transformar e adaptar, seguindo as próprias diretrizes da vida, sobre balizas universais que asseguram o equilíbrio do Todo, hoje em dia também chamado de “Holístico”. Costuma-se definir este eixo através de Trindades divinas.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

QUEM DISSE QUE NÓS TEMOS OUTRAS VIDAS?



A reencarnação compulsória é um dogma popular antigo que tem a mesma origem que a salvação cristã: uma generalização sem fundamentos para acomodar as pessoas mais facilmente ao stablishment dominante, já que elas pensariam que facilmente teriam a sua sobrevida assegurada.
A certa altura, se julgou também que o ser humano teria uma melhor conduta social caso temesse a colheita dos seus atos em vidas futuras, visando reencarnar em condições mais auspiciosas; atribui-se boa parte da “educação” da sociedade hindu a estas crenças no carma.


A visão popular da reencarnação tem sido divulgada pelas escolas new age ocidentais como o Teosofismo -e também pelo Espiritismo-,* como uma “alternativa” à dogmática cristã, sem maior investigação todavia sobre os seus fundamentos. O transplante de elementos isolados de outra cultura, pode ser ainda mais prejudicial do que os dogmas da própria cultura.

Estas doutrinas ainda oferecem um corpo ético relevante, mas na mentalidade geral a ideia pode soar contraproducente. Ao colocar ênfase nos meios e não nos fins, se faz uma inversão de premissas que compromete os objetivos reais. Os resultados podem ser uma sociedade cordata como a hindu, capaz de acatar aberrações como a das castas-de-nascimento, negadas pelo Buda e mais recentemente por Gandhi.**

Ao deparar-se com tais crendices, o Buda também negou a existência de um ente reencarnatório e foi enfático quanto a se dever aproveitar com todas as nossas forças a vida presente para conhecer a Verdade. Da mesma forma, Jesus denunciou as falsas crenças dos saduceus numa ressurreição futura (com fins egoístas, sobretudo), dizendo que “Deus é o deus dos vivos”. Assim, os grandes mensageiros, porta-vozes da realização espiritual, sempre foram contrários a tais especulações e enfoques equivocados.

Tanto uma coisa como a outra –reencarnação e ressurreição, que seriam basicamente a mesma coisa-, dependem do mérito pessoal. As Escolas Iniciáticas das Índia sempre afirmaram que a reencarnação existe para quem entra na senda espiritual –inclusive sob a ligação com um mestre-, como forma de assegurar um progresso que nem sempre se pode alcançar numa só existência terrena. Neste sentido, a tradição tibetana dos tulkus remete a lamas iniciados unicamente (ainda que esta doutrina também tenha as suas fragilidades). Assim, a reencarnação tem muito mais relação com o dharma ou serviço, do que com o carma ou os pecados.
De maneira não distinta, desde o Egito Antigo a salvação da alma depende do “peso do coração” na hora da morte, do contrário ele é devorado por um monstro que simboliza os planos materiais. Na filosofia tolteca de Carlos Castañeda, a Águia cósmica faz este papel de juiz do destino final, onde ela reabsorve as energias da consciência mal desenvolvida, mas permite “atravessar para o infinito” a consciência dos guerreiros verdadeiros -provavelmente através da experiência da “clara luz” de que fala a doutrina tibetana do Bardo. Sem esta liberação, nem se pode falar de reencarnação.
Em última análise, estas são ideias que nós mesmos absorvemos por comodismo e auto-indulgência, independente do que digam os sistemas oficiais. Quem tem uma boa estrela não se limita a questionar, protestar e renegar in totum as coisas, mas trata de buscar a jóia da Verdade que floresce como o lótus na lama da superstição.


* O conhecido perenialista René Guenon escreveu duas obras para questionar (até com exagero) estas doutrinas, que são “O Teosofismo” e “O Erro Espírita”.
** Este sistema compromete a mobilidade social e favorece atividades sem vocação e, portanto, medíocres fadadas a toda sorte de insucesso. Não obstante possa ter havido qualquer intenção piedosa nesta ideia, o fato é que inclui mecanismos de exploração como a negação dos ashramas aos servidores (sudras, excluídos assim entre os "duas vezes nascidos" ou os iniciados), a quem tocava ao menos a educação e o conhecimento das escrituras, presente no estágio Brahmacharya completo, vindo a casta seguinte (a dos Vaishyas ou burgueses) a “acumular” duas etapas injustificadamente.




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