A Tradição Primordial também é dita "perene" porque sabe se transformar e adaptar, seguindo as próprias diretrizes da vida, sobre balizas universais que asseguram o equilíbrio do Todo, hoje em dia também chamado de “Holístico”. Costuma-se definir este eixo através de Trindades divinas.
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sábado, 27 de junho de 2015

A ESTRUTURA SOCIAL CLÁSSICA OU O PRIMADO DA CULTURA

Todos sabem que a Pirâmide Social representa uma estrutura tradicional na sociedade humana, porém poucos conhecem hoje a sua verdadeira natureza, que é cultural e espontânea, buscando elevar o ser humano às alturas das suas possibilidades... 
Após certo tempo -mais ou menos longo dada a solidez das suas instituições-, esta natureza pode estar sujeita a distorções e a cristalizações atávicas, e daí também a investidas reformistas não raro ditadas por forças involutivas. 
Não obstante, após séculos de “Humanismo” e sucessivos ciclos revolucionários, parece que apenas se trocou uma Pirâmide Cultural em ocaso por outra Pirâmide Econômica amplamente desigual. Mesmo as revoluções materialistas não alcançaram solucionar os problemas da Modernidade, que pelo visto apenas trocou antigos mitos de glória e de salvação por novos mitos de progresso e de igualdade...
Assim, para quem deseja conhecer mais sobre os sólidos cimentos de milênios de civilização relativamente estáveis, contra os recentes séculos de civilização precária e fortemente suicida, vejamos algumas destas questões tradicionais.

O refinamento da cultura



A lei-do-mais-forte é uma realidade na Natureza, que amiúde repassa para a humanidade -tal como através do darwinismo social alegremente adotado pela burguesia nos séculos passados.
Contudo, faz muito que a Filosofia Política antiga adotou os critérios de valor e de virtude (coragem, solidariedade, etc.), adaptando os princípios darwiniamos ou refinando-os de fato. Mesmo porque força não é tudo, existe também habilidade, inteligência e cuidado. A isto tudo se agregou porém, na esfera humana, a pureza e a santidade, visando não substituir o materialismo, mas discipliná-lo e equilibrá-lo.
A pirâmide representa com certeza esta estrutura social convergente, mas de uma forma toda própria. Seu ápice ou cume destacado, é como um farol a iluminar a ascensão cultural dos povos. Trata-se, pois, de uma pirâmide social feita de baixo para cima, ainda que no seu cume existam aquelas forças supra-humanas inspiradoras da Civilização, da mesma forma como outros momentos da evolução humana também foram orientados por estas forças mais ou menos incógnitas...

Assim, mais que hierarquia social, havia uma convergência direta das quatro classes sociais clássicas no ápice transcendente desta pirâmide, velando valores ou conquistas supremas como salvação, iniciação, iluminação e ascensão. 


Os triângulos piramidais simbolizam os Quatro Elementos, que também fazem alusão à “cosmologia social”. Como demonstra fartamente a iconografa tradicional (calendários, pirâmides, etc.), o símbolo piramidal se converte facilmente nas mandalas (ou em suásticas) que denotam igualmente esta unidade e integração circular.

Ora, é fácil observar que na Estrutura Social clássica, os valores ascendem cultural e espiritualmente. 

O Manu e as castas
Tomemos o caso da Índia -onde as castas são emanações de um deus-, cultura razoavelmente conhecida dada a sua continuidade no espaço-tempo desde milênios atrás. Pese as várias distorções sofridas pelo seu sistema-de-castas, se sabe que a classe mais exaltada sempre foi a sacerdotal (os brahmanes), comumente relacionada ao ensino e naturalmente minotária pelo refino das suas atividades. E na outra ponta está o clássico proletariado –“aqueles que proliferam”- através dos sudras, os servidores.
Curiosamente, a classe comerciante (vaishya) não ocupa os topos desta pirâmide social, como acontece com a burguesia moderna. Ela está apenas acima dos humildes servidores. Como tal coisa é possível?! Apenas em função de uma estrutura social baseada em valores e não na riqueza. Na Índia clássica, os comerciantes são pequenos proprietários, geralmente agricultores, de modo que não costumam ser ricos.
Contudo, alguns nobres (kshatryas) são ricos, especialmente aqueles que atuam na administração do Estado como monarcas -sabemos afinal o quanto o poder pode corromper, e a casta guerreira estava associada ao poder. 
De todo modo, nas Sociedades Tradicionais, as elites são muito mais naturais e evoluídas, como elites da cultura, da ética e da consciência.
Aqui também se pode estabelecer certos paralelos com a Sociedade Medieval, embora esta comparação seja tema de debates. De fato, a cultura medieval europeia reproduzia em boa parte os valores clássicos e tradicionais.

Educação para todos

Para viabilizar uma condição de dinamismo, eram elaborados nas Sociedades Tradicionais sistemas educacionais especiais almejando padrões-de-excelência através das próprias instituições: escola, família, administração e sacerdócio. Naturalmente, um destaque especial era dado às Escolas Iniciáticas, para quem almejasse uma carreira realmente especializada.
A excelência da Casa Real era apenas um destes recursos, dentro de sistemas hereditários. Além de templos, mosteiros, universidades e práticas de nobreza, havia cidades especiais para forjar nobres e educar sacerdotes, como Macchu Picchu no Peru. Entre várias sociedades havia também o jubileu quinquagenária ou geracional, quando se tratava de renivelar a sociedade (hebreus) e desfazer-se dos supérfluos (maias-nahuas).
E havia, acima de tudo, sistemas educacionais especiais como os ashramas da Índia, destinados a capacitar as diferentes classes sociais segundo as vocações naturais das pessoas, um sistema tão puro e elevado que acabou se perdendo grandemente, ao se inverter a certa altura a subordinação classe-educação através das castas-de-nascimento (jativarna). Mesmo assim, ainda hoje existem os ashramas, sob diversas distorções.

Os famosos Jardins suspensos da Babilônia

Na Antiguidade, este conjunto de valores era melhor administrado a partir das próprias cidades. Naqueles tempos, os valores originais da civilização estavam puros; os sacerdotes ditavam as regras e a nobreza mantinha boas relações com o clero -e todos comumente orientados diretamente pelos profetas de Deus, que vagavam pelos desertos e montanhas...
O comércio e o trabalho eram empregados para servir ao conjunto da nação, incluindo os cultos plurais, as estruturas culturais e a identidade nacional, todos com seus devidos representantes. Esta unidade original é que recebeu o nome de “Civilização”.

Na Antiguidade prevalecia o conhecimento direto e a experiência, transmitido diretamente através de mestre a discípulo e pela cultura popular, especialmente os bardos e afins. A História associa a chegada da época do “individualismo” com o poder-de-registro, porém tudo isto apenas aconteceu sob a perda da unidade social e da memória viva sob a desagregação dos valores. Nas sociedades republicanas, a Filosofia se torna coisa diletante e já não uma base transformadora, já que existe um abismo entre o “real” e as metas superiores da Alma. Na tradição republicana, a cultura ainda é sinceramente valorizada pelos nacionalistas, porém os liberais fazem dela comércio e a corrupção moral e econômica deteriora as estruturas socioculturais.


Quando os valores tradicionais se deterioraram e a corrupção cresceu, antigas práticas republicanas tribais começaram a ser adotadas nas cidades européias, como em Roma e em Atenas, contestando a Monarquia de origem mormente oriental, que adquirira no Ocidente a má fama de opressora. César apenas tornou-se imperador após ser influenciado pelo Egito.
Não obstante, a Monarquia também existia nas sociedades tribais europeias, e na medida em que Roma demostrou a sua face mais dura e decadente, estas sociedades emergiram propondo um novo equilíbrio cultural.
Já não era possível preservar a velha ordem natural das tribos, contudo, a partir dali se começou a evitar cada vez mais as cidades, uma vez que se perdia aquela estrutura cultural “solar” –centralizada em valores elevados e ecumênicos- para a qual haviam sido criadas, pendendo antes para o imperialismo despótico, que é a anti-pirâmide involutiva sujeita às maiores cargas de ilusões
- e foi Roma que sinalizou isto para o Ocidente. 
Tais coisas começaram mais ou menos ao mesmo tempo em todo o mundo, ali pela virada da Era de Peixes, dando início assim ao período do feudalismo em quase todo o planeta –Europa, Índia, China, Japão...-, mantendo a burguesia sem maior poder e as cidades sem grande população, como correu até o final da Idade Média, quando os europeus começaram a reconquistar o planeta.

A anti-pirâmide capitalsta
Na esteira deste processo, hoje temos um novo surto de liberalismo e de materialismo global, ou seja: de imperialismo republicano. O proletariado julga necessária a ditadura porque o capitalismo também representa uma ditadura mais ou menos disfarçada. Como sair deste círculo vicioso? Enquanto prevalecer o consumismo, não se vê perspectivas.
Tocaria então às sociedades emergentes, em especial, manifestar e resgatar os valores tradicionais, devidamente adaptados aos novos tempos do mundo, refutando a massificação e evitando as megalópoles enfermas e tumorosas para a saúde do planeta e para a liberdade e o bem-estar dos seres humanos.


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O mito da exploração social pré-capitalista


Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 9861-5178 e (62) 9776-8957

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