A Tradição Primordial também é dita "perene" porque sabe se transformar e adaptar, seguindo as próprias diretrizes da vida, sobre balizas universais que asseguram o equilíbrio do Todo, hoje em dia também chamado de “Holístico”. Costuma-se definir este eixo através de Trindades divinas.
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domingo, 21 de junho de 2015

REFÉNS DO EGO: O CARMA FATAL DA “HERESIA DA SEPARATIVIDADE”


Hércules e a Hidra

Os descaminhos do mundo são os descaminhos do homem. Quem não anda com Deus dança com o diabo –no caso, o “diabo” é mais uma metáfora do nosso próprio ego. E o diabo adora seduzir a humanidade com ilusões de “liberdades” inalcançáveis, fúteis ou perigosas. Quer enfim afastá-la dos seus verdadeiros pastores, para que fiquem à mercê dos lobos.
Remonta aos antigos mitos do Pecado Original o afastamento dos seres humanos das Fontes de orientação divina. O orgulho, a vaidade e a cobiça, são as coisas que mais comumente levam as pessoas aos descaminhos espirituais.


Expulsão dos vendilhões
Os oportunistas se aproveitam das mazelas históricas e das quedas morais dos representantes tradicionais da espiritualidade e do direito social, para tentar as suas revoluções liberais, materialistas ou anárquicas.
Enquanto isto, os iconoclastas lançam mão de passagens duvidosas ou obscuras das Sagradas Escrituras, e as usam para difamar e renegar filosofias incomparáveis em profundidade e beleza. E assim, privam a humanidade de guiança e de alma, para torna-la como criança afável às seduções absurdas do consumismo.
E então, dentro destas “novas ordens” liberais e materialistas, os interessados nas coisas da alma e da verdadeira fraternidade, se vêem em maus lençóis, entregues ao ostracismo e reduzidos a mendicantes e a vendilhões do templo. Desapoderados, empobrecidos, amadorísticos, isolados, inofensivos enfim.

Os Discursos do Ego


O Discurso do Ego (liberal, anti-autoridade) é tão dominante nas sociedades materialistas e capitalistas, que mesmo aqueles que aspiram por depurar e superar o próprio ego, tornam-se céticos a respeito, castrando-se e permanecendo como amadores nas suas aspirações de auto-aperfeiçoamento, sem poder auxiliar mais ativamente ao próximo, o qual se torna desconfiado e refratário, apesar de carente e necessitado. De modo que os mundos que devem ser criados (nações, continentes) permaneçam como crianças: dependentes, doutrinados e colonizados.
Os materialistas e liberais não querem que estas pessoas cresçam e voltem a dar as cartas, como houve tantas vezes no passado, senão inevitavelmente teríamos um “regresso” ao primitivismo tribal ou, no máximo, ao feudalismo, onde os maiores direitos eram concedidos naturalmente aos fiéis das causas religiosas e nacionalistas das coroas reais. Ou seja: já sem possibilidades de anarquismo, de mais-valia e de exploração desmedida da Natureza, como querem os liberais e materialistas.

Maria Antonieta
De fato, as ordens espirituais e aristocráticas estão sujeitas à corrupção, porque “errar é humano”, e nem Deus almeja interferir radicalmente nas coisas impedindo o erro, a liberdade e a experiência. Contudo, se algo se perdeu é porque um dia também ganhou, isto é: teve valor e legitimidade. Neste caso, apenas parte do problema estaria na renovação, ao passo que a outra parte se encontra na restauração. Contudo, os revolucionários querem fazer esquecer que a Economia Espiritual do Mundo outorga periodicamente forças renovadoras & restauradoras! Para isto eles negam até a espiritualidade, ou pelo menos a sua profissionalização.
Os anarco-liberais vivem assombrados com o tema da “autoridade”. Não querem admitir que esta fixação vela a inconfessa projeção egóica de quem é imaturo, ou senão praticam cinicamente o alarmismo para impedir uma restauração cultural tradicionalista. Então buscam a calúnia e a difamação gratuita, valendo-se amiúde de questiúnculas como pretextos-de-efeito -como a famosíssima frase infame de Maria Antonieta, motivo suficiente para gulhotiná-la. Afinal, toda a “boa causa” demanda os seus ícones e bodes-expiatórios. Para ocultar que almejam o poder e manipular as massas, os liberais acusam as hierarquias tradicionais de “privilégios”. Contudo as classes hierarquizadas sempre foram por essência minorias naturais ilustradas.

A doutrinação é tão feroz que se aloja no inconsciente da sociedade, produzindo miríades de ideologias estéreis e legiões de alienados úteis que mal percebem suas contradições crônicas, as quais batizam de “utopias”.
Um dos últimos refúgios do ego está no misticismo, no desejo de ainda pertencer a uma “tribo”, separada do resto da humanidade como se “eleitos” fossem. Imagina-se, porém, o tamanho dos conflitos de um comunista –se este for capaz de enxergar o tamanho dos seus dilemas e contradições- ao tentar ser espiritualmente anarquista (ou independente de hierarquias), considerando que, se para os “raros” e “puros” a senda já é tão difícil, imagine para o “povo” em geral! Todavia, anarquismo nunca fez parte de nenhuma espiritualidade séria, é coisa de quem prefere preservar o próprio ego sob o pretexto de combater o ego alheio. Enfim, as velhas armadilhas do ego...

O ovo do dragão


O liberalismo burguês, berço do anarquismo –salvo uma visão algo mítica no Luciferismo- representa o ovo da serpente da Queda final da humanidade.
De início surgem os liberais, que ainda reconhecem a beleza das Escrituras como meritórias para edificar Civilizações. Porém, o liberalismo vela o ovo do dragão, porque na sua esteira vem o materialismo e a anarquia.
O materialismo evoluiu na esteira do liberalismo e a ele está atrelado, da mesma forma como o social-marxismo é dependente do capitalismo. São facetas de uma só e única Hidra, se completam e dialogam “dialeticamente” como cúmplices históricos.
Aristóteles dizia ser a demagogia a sombra da democracia. Porém quando a sociedade cresce se torna complexa já não há lugar para a democracia formal, quer se queira ou não. Daí, toca simplificar as coisas ou mudar o sistema social para algo mais confiável, pela profissionalização definitiva da política.

Mapa simbólico dos Três Continentes e Jerusalém central
O discurso liberal-materialista* até pode ter o seu lugar no Velho Mundo onde, com tanta História pretérita, novas ideias servirão apenas como ingredientes de equilíbrio. Porém, ele representa a mais pura alienação nos mundos em formação.
Em algum momento, se fará um balanço tão sincero quanto possível dos resultados destes dois grandes modelos econômicos e culturais: o feudalismo e o capitalismo. A menos que o próprio planeta venha a vomitar antes disto a algum deles, e sabemos perfeitamente qual poderá ser.
Nos mitos budistas, o Buda “toma a terra por testemunho” acerca da sua própria missão, porém, a humanidade poderá fazer o mesmo em relação ao consumismo desbragado que assola hoje o planeta a ferro-e-fogo: o mundo mesmo rejeita tais aberrações, sejam elas tópicas ou utópicas.

Resgatando as Fundações

Teseu e o Minotauro
Poucas ideologias possuem a sincera inclinação pelo Paraíso Terreno. O tema da “autonomia” está relacionado ao Pecado Original, de desobediência filial. O ser humano está como num labirinto onde o minotauro é seu ego, que quase sempre lhe afasta da verdade. O ego não pode conduzir, porque por definição ele é um desviador. É claro que também existem pessoas desviantes exteriores, a ideia porém é achar os orientadores, até que nosso ego se debilite ou despertemos em nós mesmos uma força maior do que ele.
A Filosofia Tradicional apregoa a obediência e o serviço à luz. Não se trata pois de obedecer a alguém, mas sim à Lei ou a certos princípios cósmicos de evolução. Tal como a própria ideia de Hierarquia, de buscar aprender com quem realmente sabe. Nada disto significa ser como cordeirinhos. O Cristo tinha plena ciência do preceito de Hierarquia, embora soubesse denunciar falsos profetas e falsos sacerdotes. Para quem está no caminho, todas estas coisas são possíveis.

Francisco retira Jesus da cruz
O liberalismo que ditar a sua democracia e impor a “igualdade de direitos” entre grandes e pequenos. Porém, para o pensamento tradicional não se trata de respeitar opiniões, porque homens de bem não fazem questão de ter opiniões. Esta é a diferença entre os iniciados e os ego-iludidos: um iniciado quer servir à luz sem julgamentos. E quando finalmente fala, é apenas desde a realização merecida. A atitude tradicional de silêncio interno do ego é muito mais verdadeiramente "zen" do que nenhum anarquista jamais foi em toda a sua vida de críticas sociais.
Cada mundo deve completar a sua evolução; um hemisfério não pode colonizar o outro e nem lhe impor as suas coisas e interesses. O regresso do feudalismo não será o fim-do-mundo, até porque o mundo nunca foi uma coisa só: importa é a liberdade real e a evolução necessária das sociedades independentes.
Até porque o feudalismo seria um positivo avanço na situação econômico-social da América Latina, entregue ao neocolonialismo e dominada por latifúndios ociosos ou alienados (monoculturas-de-exportação). Afinal, premiar as elites nacionalistas de todos os setores sociais (ou tornar elites culturais aos nacionalistas), poderia ser um primeiro passo para uma futura emancipação efetiva; já que nossas extintas monarquias euro-americanas nunca deram muito mais enredo que para um desfile de escola-de-samba.

Europa Regina - mapa simbólico com Ibéria in caput
Sebastian Münster, Cosmografía, Bohemia Bunting-1537
Para regressar ao paraíso terreal, o ser humano deve resgatar a sua condição filial a Deus. A busca pelo respeito à premissa da Ordem e do Serviço a Deus, tem legitimado regimes sociais espiritualizados (teocracias) e idealistas (monarquias), assim como grandes Sínteses universalistas (Sinarquia) nas origens das coisas, ainda sob a forja das Revelações.
Dizemos, pois, alto e bom som: é preciso resgatar as Fundações, ou seja: vox dei vox populi. Os céticos indagam então: quais critérios seriam usados para a vox dei? Ora, critérios histórico-espirituais tradicionais: a renovação/atualização da Revelação, no caso, através das figuras de São Francisco de Assis e Joaquim di Fiori, quem inspiraram o Espiritualismo e o Império do Divino, indiretamente conectado ao Quinto Império, a religião aristocrática da Panibéria Renascentista.
Claro que esta é apenas uma referência histórica, uma conexão próxima a referenciar de maneira plural. O Novo Mundo nesta altura já começa a apresentar, afinal de contas, as suas próprias sínteses e mateses filosóficas, mas as conexões históricas seguem vivas e pulsantes, também pelo reconhecimento dos desafios comuns pela formação própria destas nações.

* Liberais-materialistas são pessoas muito inteligentes para quem o mundo real começou na Revolução Francesa, mas teve alguns lapsos premonitórios de genialidade no universo grego-romano. Nunca sabem explicar bem a origem daquele milhão-e-meio de coisas inventadas pelos modelos sociais não-republicanos, porém as considera ótimos ornamentos para as suas iluminadas ideologias.

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Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 9861-5178 e (62) 9776-8957


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